A Escala Espírita, proposta por Allan Kardec, classifica os espíritos em três grupos: Espíritos Imperfeitos, que são influenciados pela matéria e pelo mal; Bons Espíritos, que promovem o bem; e Espíritos Puros, que atingiram a perfeição e atuam como guias espirituais. Essa classificação e a influência dos espíritos ressaltam a importância do autoconhecimento e do aprimoramento moral, com a certeza de que todos estamos em busca da perfeição.
A Escala Espírita é um conceito fundamental no estudo do Espiritismo, classificando os espíritos de acordo com seu grau de evolução moral e intelectual.
Composta por três ordens principais – Espíritos Imperfeitos, Bons Espíritos e Espíritos Puros – esta classificação revela como os espíritos progridem através das encarnações, refletindo suas qualidades adquiridas e imperfeições a superar.
Neste artigo, exploraremos cada categoria, os critérios que as definem e a influência dos espíritos em nossa vida diária, proporcionando um entendimento mais profundo sobre o mundo espiritual e suas implicações na jornada humana.
Introdução à Escala Espírita
96. Os Espíritos são iguais ou há entre eles qualquer hierarquia?
“São de diferentes ordens, conforme o grau de perfeição que tenham alcançado.”
Questão 96 – o livro dos espíritos
A Escala Espírita é um conceito central na Doutrina Espírita, introduzido por Allan Kardec, que classifica os espíritos em diferentes categorias de acordo com seu grau de evolução moral e intelectual.
Esta classificação dos espíritos serve para compreender a diversidade e as diferenças entre os espíritos desencarnados e, consequentemente, suas influências em nossa vida terrena.
Dividida em três ordens principais, a Escala Espírita nos apresenta os Espíritos Imperfeitos, caracterizados por paixões e vícios; os Bons Espíritos, que já superaram essas imperfeições e buscam o bem; e, por fim, os Espíritos Puros, que alcançaram a perfeição moral e intelectual.
Essa classificação não é estática, pois os espíritos estão em constante evolução, movendo-se de uma categoria para outra à medida que progridem.
A Escala Espírita, portanto, nos convida a refletir sobre nossa própria jornada evolutiva e a buscar o aprimoramento contínuo, tanto no campo moral quanto no intelectual.
Compreender esta escala espírita é fundamental para aqueles que desejam aprofundar seus conhecimentos sobre o Espiritismo e sua visão sobre a vida após a morte, a reencarnação e o propósito da existência humana.
Terceira Ordem – Espíritos Imperfeitos
Na Escala Espírita, os Espíritos Imperfeitos ocupam a terceira e mais baixa ordem. Eles são caracterizados por uma predominância de instintos materiais sobre os espirituais, o que se manifesta em paixões, vícios e uma moral ainda pouco desenvolvida.
Esses espíritos ainda carregam resquícios de egoísmo, orgulho e inveja, o que limita sua compreensão e capacidade de amar verdadeiramente.
Os Espíritos Imperfeitos são frequentemente responsáveis por influências negativas, uma vez que suas vibrações podem impactar aqueles que estão encarnados, especialmente se estes não estiverem vigilantes e em busca de melhoria espiritual.
Dentro dessa ordem, encontramos várias classes, como os Espíritos Impuros, Espíritos Levianos, Espíritos Pseudossábios, Espíritos Neutros e os Espíritos Batedores e Perturbadores. Iremos nos aprofundar em cada uma dessas classes:
Espíritos Impuros
Dentro da escala espírita, os Espíritos Impuros ocupam o nível mais baixo da terceira ordem, representando os seres mais afastados da luz moral e espiritual. Esses Espíritos são fortemente inclinados ao mal e direcionam suas ações para prejudicar, desviar e atrasar o progresso dos outros. O mal, para eles, não é apenas uma consequência, mas muitas vezes um objetivo em si.
Como desencarnados, os Espíritos Impuros agem com dissimulação, mascarando suas verdadeiras intenções. São mestres na arte de enganar: influenciam pessoas de caráter fraco, semeiam a discórdia, alimentam desconfianças e sopram ideias traiçoeiras.
Sentem prazer ao verem alguém tropeçar em sua caminhada espiritual, especialmente quando conseguem atrasar provas importantes ou comprometer o crescimento moral do outro.
Durante comunicações mediúnicas, esses Espíritos revelam sua condição pela linguagem. Expressões grosseiras, vulgares ou fúteis são sinais claros da inferioridade moral — e muitas vezes também intelectual — dos Espíritos Impuros.
Mesmo quando tentam parecer sensatos ou sábios, não conseguem sustentar por muito tempo essa aparência e acabam se contradizendo ou revelando sua verdadeira natureza.
Ao longo da história, diferentes culturas atribuíram nomes variados a esses seres: espíritos malignos, demônios, maus gênios, entre outros. No Espiritismo, reconhecemos todos esses nomes como formas diferentes de se referir aos Espíritos Impuros.
Quando estão encarnados — ou seja, vivendo em corpos físicos —, eles se mostram inclinados aos piores vícios: crueldade, hipocrisia, sensualidade desregrada, ganância, egoísmo, falsidade e mesquinharia.
Frequentemente, fazem o mal por puro prazer, mesmo sem motivo. Nutrem verdadeiro desprezo pelo bem e, por isso, costumam escolher como alvo justamente as pessoas honestas e bem-intencionadas.
Encarnados ou desencarnados, os Espíritos Impuros são verdadeiros flagelos para a humanidade. Estão presentes em todas as camadas sociais, e nem mesmo uma aparência de educação ou status é capaz de esconder seus comportamentos vergonhosos.
Espíritos Levianos
Os Espíritos Levianos são caracterizados por sua ignorância, malícia e uma tendência à zombaria. São Espíritos ainda bastante imaturos, que se intrometem em tudo, opinando sobre qualquer assunto, mesmo quando não sabem do que estão falando — e sem qualquer compromisso com a verdade.
Gostam de brincar com os sentimentos humanos, causando pequenos aborrecimentos ou alegrias passageiras. Divertem-se em confundir as pessoas, muitas vezes usando truques ou provocações sutis para enganar.
Fazem isso não por maldade profunda, mas por diversão e leviandade. São os responsáveis por muitas mistificações em reuniões mediúnicas, onde aproveitam qualquer oportunidade para pregar peças ou provocar confusão.
Na tradição popular, os Espíritos Levianos são os que deram origem a nomes como duendes, gnomos, trasgos e diabretes. Embora pareçam agir por conta própria, estão sob a autoridade de Espíritos mais elevados, que às vezes os utilizam para cumprir determinadas tarefas, assim como fazemos com servidores ou auxiliares.
Em suas manifestações, esses Espíritos muitas vezes usam uma linguagem espirituosa, cheia de piadas ou comentários sarcásticos. Entretanto, mesmo quando parecem inteligentes, suas ideias raramente têm profundidade.
Gostam de explorar as esquisitices humanas e fazem disso motivo de sátira. Riem dos nossos defeitos e exageram nossas imperfeições com ironia.
Quando utilizam nomes falsos em comunicações mediúnicas, geralmente o fazem por pura travessura, não com a intenção de prejudicar gravemente, mas como quem prega uma peça apenas para se divertir.
Espíritos Pseudossábios
Os Espíritos Pseudossábios são aqueles que demonstram certo grau de conhecimento, mas acreditam saber muito mais do que realmente sabem. Têm alguma bagagem intelectual e já avançaram em certos aspectos, o que os torna capazes de se expressar com aparente seriedade e autoridade.
Sua linguagem pode impressionar à primeira vista, passando a ideia de sabedoria e profundidade. No entanto, ao observarmos com mais atenção, percebemos que muitas de suas ideias refletem os preconceitos, opiniões fixas e crenças equivocadas que carregavam quando estavam encarnados.
Os Espíritos Pseudossábios são mestres em misturar verdades com erros bem disfarçados. Essa combinação é perigosa porque pode enganar até mesmo os mais atentos, já que o erro aparece revestido de lógica e coerência superficial.
Ainda estão presos a sentimentos como orgulho, vaidade intelectual, ciúme e teimosia. Por isso, apesar de parecerem confiáveis, é preciso muito discernimento ao analisar suas mensagens.
Falam com convicção, mas muitas vezes espalham conceitos distorcidos que podem desviar o pensamento daqueles que os escutam sem o devido cuidado.
Espíritos Neutros
Os Espíritos Neutros ocupam uma posição intermediária na escala espiritual. Não são suficientemente bons para se dedicarem ao bem com firmeza, mas também não são maus a ponto de fazerem o mal por vontade própria. Estão em uma espécie de zona de indiferença moral, oscilando entre tendências positivas e negativas.
Esses Espíritos ainda não se destacam em virtudes nem em inteligência. Permanecem muito próximos da condição comum da humanidade, tanto no aspecto moral quanto intelectual. Por isso, suas ideias e atitudes refletem uma consciência ainda presa às limitações do mundo material.
Mesmo desencarnados, os Espíritos Neutros mantêm forte apego às coisas da vida terrena. Sentem saudade das alegrias passageiras e dos prazeres materiais que vivenciaram quando encarnados. Esse apego os impede de se elevar mais rapidamente na jornada espiritual, pois continuam ligados ao que é superficial e transitório.
Não são perigosos como os Espíritos inferiores mais revoltados, mas tampouco são confiáveis como orientadores ou conselheiros, já que ainda não desenvolveram um senso claro de direção espiritual. Estão aprendendo, mas ainda não escolheram verdadeiramente o caminho do bem.
Espíritos Batedores e Perturbadores
Os Espíritos Batedores e Perturbadores não formam uma classe específica por suas qualidades morais ou intelectuais. Eles podem pertencer a qualquer grupo da terceira ordem, mas são reconhecidos principalmente pela forma como se manifestam.
Sua presença costuma ser percebida por meio de efeitos físicos e sensíveis, como batidas, ruídos, movimentação de objetos, deslocamentos anormais de corpos sólidos e até agitação do ar. Esses fenômenos não são simples coincidências ou eventos naturais. Quando carregam um padrão inteligente e intencional, é sinal de que há uma ação espiritual por trás.
Os Espíritos Batedores e Perturbadores estão, geralmente, muito ligados à matéria. Por isso, parecem atuar diretamente nos elementos do mundo físico — como o ar, a água, o fogo, os sólidos e até as profundezas da Terra. Em muitos casos, são vistos como os agentes invisíveis por trás de certas manifestações naturais, principalmente quando essas envolvem perturbações incomuns ou inexplicáveis.
Embora qualquer Espírito possa provocar esses fenômenos, os Espíritos mais elevados raramente o fazem diretamente. Quando consideram útil esse tipo de manifestação — como forma de despertar, alertar ou ensinar — eles recorrem a Espíritos de grau inferior, mais ligados ao plano material, para executarem essas ações sob sua orientação.
Portanto, os Espíritos Batedores e Perturbadores são, por assim dizer, os operários das manifestações físicas, mais voltados às ações do que à reflexão ou orientação espiritual.
Considerações Gerais da Escala Espírita da Terceira Ordem
No entanto, é importante ressaltar que, segundo o Espiritismo, nenhum espírito é eternamente imperfeito. Todos estão destinados à evolução e ao progresso.
O aprendizado e a superação dessas imperfeições ocorrem através de sucessivas reencarnações, nas quais os espíritos têm a oportunidade de reparar erros passados, adquirir novas virtudes e elevar-se na escala espiritual.
A Doutrina Espírita nos ensina que a caridade, o amor ao próximo e o desenvolvimento intelectual são caminhos eficazes para sair da condição de Espírito Imperfeito e avançar rumo a ordens superiores.
Assim, a compreensão dos Espíritos Imperfeitos nos ajuda a identificar nossas próprias limitações e a trabalhar conscientemente para superá-las, promovendo nosso crescimento espiritual e moral.
Segunda Ordem – Bons Espíritos
Na Escala Espírita, os Bons Espíritos ocupam a segunda ordem, representando aqueles que já superaram muitas das imperfeições características dos Espíritos Imperfeitos.
Eles são reconhecidos pela predominância dos valores espirituais sobre os materiais, demonstrando virtudes como a benevolência, a humildade e o desapego aos bens terrenos.
Os Bons Espíritos são motivados pelo desejo de fazer o bem e ajudar na evolução dos outros. Eles possuem uma compreensão mais clara das leis divinas e trabalham em prol do progresso coletivo, seja encarnados ou desencarnados.
Sua presença é frequentemente associada a influências positivas, promovendo a paz, a harmonia e a inspiração para aqueles que estão ao seu redor.
Na segunda ordem também encontramos algumas classes, sendo Espíritos Bondosos, Espíritos Sábios, Espíritos de Sabedoria e Espíritos Superiores. Vejamos mais detalhes de cada classificação dos espíritos:
Espíritos Bondosos
Os Espíritos Bondosos são aqueles cuja principal característica é a bondade. A compaixão, o desejo de ajudar e a empatia são traços marcantes de sua natureza. Sentem verdadeira alegria em proteger os encarnados e prestar auxílio sempre que podem.
Embora sejam moralmente elevados, ainda não alcançaram um nível muito avançado de conhecimento. Seu progresso aconteceu principalmente no campo dos sentimentos, mais do que no da inteligência. Por isso, apesar de sua boa vontade, suas instruções podem ter limitações quando o assunto exige maior profundidade intelectual.
Mesmo assim, os Espíritos Bondosos são companheiros valiosos. Com sua presença suave e orientação sincera, nos inspiram a seguir o caminho do bem e a vencer as dificuldades com fé, paciência e resignação.
Espíritos Sábios
Os Espíritos Sábios se destacam pelo profundo conhecimento que possuem. São Espíritos que evoluíram especialmente no campo intelectual e por isso demonstram grande entendimento sobre temas complexos, principalmente de ordem científica e filosófica.
Diferente dos Espíritos Bondosos, cuja força está na moral, os Espíritos Sábios têm maior afinidade com o saber e a razão. Embora também sejam moralmente equilibrados, suas preocupações estão mais voltadas ao esclarecimento e à busca pela verdade através do conhecimento.
A ciência, para esses Espíritos, nunca é tratada como vaidade ou instrumento de dominação. Eles a encaram como uma ferramenta útil para o progresso da humanidade, e jamais se deixam levar pelas paixões, preconceitos ou interesses egoístas que ainda marcam os Espíritos imperfeitos.
Espíritos de Sabedoria
Os Espíritos de Sabedoria são reconhecidos, acima de tudo, por suas qualidades morais elevadas. A bondade, a humildade, a serenidade e o senso de justiça fazem parte de sua essência. Não são necessariamente os mais instruídos entre os bons Espíritos, mas sua visão das coisas é clara e profundamente equilibrada.
Mesmo sem possuírem conhecimentos ilimitados, têm uma inteligência madura e uma capacidade de julgamento que os torna sábios. Sabem avaliar com justiça os comportamentos humanos e compreender com profundidade as situações da vida. Seu olhar é sereno e preciso, e suas palavras trazem consolo, orientação e luz.
Os Espíritos de Sabedoria são verdadeiros conselheiros espirituais, sempre prontos a ajudar com discernimento e compreensão.
Espíritos Superiores
Os Espíritos Superiores representam o mais alto grau da segunda ordem. Neles, encontramos reunidas três qualidades essenciais: a ciência, a sabedoria e a bondade. Suas palavras transbordam benevolência, e sua maneira de se expressar é sempre digna, serena e elevada — muitas vezes, tocando o sublime.
Graças à sua elevação moral e intelectual, esses Espíritos estão entre os mais preparados para transmitir ao ser humano conhecimentos claros e profundos sobre o mundo espiritual, sempre dentro dos limites do que nos é permitido compreender.
Os Espíritos Superiores se comunicam com generosidade com todos aqueles que buscam sinceramente a verdade e que já se libertaram, ao menos em parte, dos apegos materiais. Por outro lado, evitam aqueles movidos apenas pela curiosidade ou presos a interesses egoístas e distantes do bem.
Quando encarnam na Terra — o que acontece raramente — é com uma missão importante: ajudar no progresso da humanidade. Nessas ocasiões, tornam-se verdadeiros exemplos vivos daquilo que o ser humano pode alcançar em termos de moral e sabedoria, servindo como modelos de perfeição possível neste mundo.
Considerações Gerais da Escala Espírita de Segunda Ordem
Embora estejam em um nível moral elevado, os Bons Espíritos ainda não alcançaram a perfeição absoluta. Eles continuam sua jornada de aprendizado e aperfeiçoamento, buscando sempre se aproximar dos Espíritos Puros.
Através de suas ações e ensinamentos, eles nos oferecem modelos de conduta a serem seguidos, incentivando-nos a cultivar virtudes e a trabalhar para nossa própria evolução espiritual.
Compreender o papel e as características dos Bons Espíritos nos ajuda a identificar as influências positivas em nossa vida e a buscar inspiração para nos tornarmos melhores, tanto no campo moral quanto no intelectual.
Primeira Ordem – Espíritos Puros
Os Espíritos Puros já não tem nenhuma influência da matéria. Superioridade intelectual e moral absoluta, com relação aos Espíritos das outras ordens.
No topo da escala espiritual estão os Espíritos Puros. Esses Espíritos já passaram por todos os estágios do progresso moral e intelectual, vencendo as imperfeições e se libertando completamente das influências da matéria.
Alcançaram o mais alto grau de perfeição possível a uma criatura, e por isso não precisam mais passar por provas e expiações.
Libertos da reencarnação em corpos físicos, vivem a plenitude da existência espiritual — uma vida eterna, serena e luminosa, junto a Deus.
Mas essa felicidade não é feita de inércia ou ociosidade. Pelo contrário: os Espíritos Puros têm uma missão ativa e grandiosa. São os mensageiros e ministros divinos, responsáveis por manter a harmonia do universo. Sob sua direção, todos os Espíritos inferiores recebem orientação, tarefas e apoio para continuarem evoluindo.
Esses Espíritos não apenas governam com sabedoria, mas também se dedicam com amor à humanidade. Ajudar os homens em suas dores, inspirá-los ao bem e guiá-los na reparação de suas faltas é para eles uma ocupação nobre e gratificante.
Em várias tradições religiosas, os Espíritos Puros são reconhecidos por nomes como anjos, arcanjos ou serafins.
Embora seja possível estabelecer contato com esses seres elevados, é preciso humildade para compreender que eles não se manifestam de forma constante nem estão ao nosso dispor.
A comunicação com os Espíritos Puros é rara e só acontece quando há um propósito elevado e uma sintonia verdadeira com o bem.
Critérios de Classificação dos Espíritos
Os critérios de classificação na Escala Espírita são fundamentais para compreender a diversidade e o progresso dos espíritos.
Allan Kardec, o codificador do Espiritismo, estabeleceu esses critérios com base em dois aspectos principais: o grau de pureza moral e o nível de conhecimento intelectual alcançado por cada espírito.
A pureza moral refere-se à capacidade do espírito de agir com bondade, amor e desapego material.
Espíritos que demonstram maior altruísmo, humildade e compaixão são classificados em ordens superiores. Já os que ainda se apegam a vícios, orgulho e egoísmo permanecem nas ordens inferiores.
O conhecimento intelectual, por sua vez, diz respeito à compreensão das leis universais e à capacidade de aplicação prática desse conhecimento para o bem comum.
Espíritos que utilizam seu intelecto para promover o progresso e a harmonia são reconhecidos como mais evoluídos.
Esses critérios não são rígidos, pois todos os espíritos estão em constante evolução. A classificação é dinâmica, permitindo que os espíritos avancem na escala à medida que progridem moral e intelectualmente.
Assim, os critérios de classificação na Escala Espírita nos incentivam a buscar o aprimoramento contínuo, tanto em termos de virtudes quanto de conhecimento.
Evolução Espiritual e Progresso
114. Os Espíritos são bons ou maus por natureza, ou são eles mesmos que se melhoram?
“São os próprios Espíritos que se melhoram e, melhorando-se, passam de uma ordem inferior para outra mais elevada.”
questão 114 – O livro dos espíritos
A evolução espiritual e progresso são conceitos centrais na Doutrina Espírita, que considera a existência como uma jornada contínua de aprendizado e aperfeiçoamento.
Segundo o Espiritismo, todos os espíritos estão destinados à evolução, movendo-se através das diferentes ordens da Escala Espírita à medida que desenvolvem suas qualidades morais e intelectuais.
Essa evolução ocorre por meio de sucessivas reencarnações, em que os espíritos têm a oportunidade de corrigir erros passados, adquirir novas virtudes e expandir seu conhecimento.
Cada encarnação é uma etapa de aprendizado, onde desafios e experiências contribuem para o crescimento espiritual.
O progresso espiritual não é linear e pode variar de acordo com as escolhas e esforços de cada espírito.
A prática da caridade, o amor ao próximo, a busca pela verdade e a superação de vícios são elementos fundamentais para acelerar essa evolução.
Além disso, o progresso intelectual, quando aliado à moralidade, permite que os espíritos utilizem seu conhecimento de forma construtiva, promovendo o bem-estar coletivo e a harmonia universal.
Assim, a evolução espiritual e o progresso são metas alcançáveis através do esforço contínuo e do compromisso com o bem, encorajando-nos a buscar a reforma íntima e a contribuir para um mundo melhor.
116. Haverá Espíritos que permaneçam eternamente nas ordens inferiores?
“Não; todos se tornarão perfeitos. Mudam de ordem, mas demoradamente, pois como já dissemos, um pai justo e misericordioso não pode banir seus filhos para sempre. Acreditam que Deus, tão grande, tão bom, tão justo, fosse pior do que vocês mesmos?”
questão 116 – o livro dos espíritos
A Influência dos Espíritos na Vida Terrena
A Doutrina Espírita nos ensina que os espíritos, sejam eles encarnados ou desencarnados, estão em constante interação.
Essa influência pode ser benéfica ou prejudicial, dependendo da natureza dos espíritos envolvidos e do grau de afinidade com os encarnados.
Os espíritos podem agir sobre nossos pensamentos e emoções, inspirando ideias, sentimentos e até mesmo decisões.
Bons Espíritos, por exemplo, buscam nos guiar para o bem, oferecendo proteção e inspiração para superarmos dificuldades e evoluirmos espiritualmente.
Eles nos incentivam a cultivar virtudes e a seguir o caminho do amor e da caridade.
Por outro lado, os Espíritos Imperfeitos, ainda apegados a vícios e paixões, podem exercer uma influência negativa, tentando nos desviar do caminho do bem.
Eles se aproveitam de nossas fraquezas e limitações para semear dúvidas, desânimo e conflitos.
O Espiritismo nos ensina que, para nos proteger dessas influências negativas, é essencial manter uma postura vigilante, cultivando pensamentos elevados e buscando sempre o aprimoramento moral.
A prática da oração, a meditação e a busca constante pelo autoconhecimento são ferramentas eficazes para fortalecer nossa conexão com os Bons Espíritos e minimizar a influência dos Espíritos Imperfeitos.
Comparações com Outras Doutrinas
A Escala Espírita, apresentada por Allan Kardec em O Livro dos Espíritos, oferece uma visão progressiva da evolução moral e intelectual dos Espíritos.
Ela não apenas organiza os diferentes graus da espiritualidade, como também reforça a ideia de que todos os seres estão destinados à perfeição.
Esse conceito encontra ecos em diversas doutrinas religiosas e filosóficas, ainda que com abordagens e terminologias distintas.
Cristianismo
No Cristianismo tradicional, especialmente nas vertentes católica e ortodoxa, existe a ideia de uma hierarquia angelical, composta por anjos, arcanjos, querubins, serafins, entre outros.
Esses seres celestiais, criados por Deus, servem como mensageiros e executores de Sua vontade — um paralelo direto com os Espíritos Puros da escala espírita.
No entanto, diferentemente do Espiritismo, que considera todos os Espíritos criados simples e ignorantes, o Cristianismo entende os anjos como criados já perfeitos, sem passarem por uma trajetória evolutiva como a humana.
Hinduísmo
No Hinduísmo, a ideia de reencarnação e evolução da alma é fundamental. A alma (ou atman) percorre inúmeros ciclos de nascimento e morte (samsara), acumulando karma e progredindo espiritualmente até alcançar a libertação final (moksha).
Essa jornada espiritual lembra a trajetória dos Espíritos nas diferentes ordens da escala, que vão se purificando até atingir o estado dos Espíritos Puros. Assim como no Espiritismo, o Hinduísmo vê a evolução como um processo natural e necessário para o aperfeiçoamento da alma.
Budismo
O Budismo também compartilha pontos de contato com a escala espírita. A ideia de que todos os seres estão sujeitos ao sofrimento e à ignorância, e que podem progredir espiritualmente até alcançar a iluminação (nirvana), aproxima-se da ideia de ascensão gradual dos Espíritos.
No Budismo Mahayana, por exemplo, os bodhisattvas são seres que já alcançaram elevado nível espiritual, mas optam por permanecer no ciclo de renascimentos para ajudar outros a se libertarem — função semelhante à dos Espíritos Superiores e Puros que se dedicam a auxiliar a humanidade.
Islamismo
No Islã, existe a crença em uma hierarquia de anjos que executam as ordens de Deus. Os anjos, como Jibril (Gabriel), são seres de luz, sem livre-arbítrio, criados para servir e proteger.
Embora o Islã não adote a ideia de reencarnação ou de uma progressão espiritual pós-morte como no Espiritismo, há o reconhecimento de diferentes níveis de consciência e pureza espiritual.
A ideia de maqam, por exemplo, representa os estágios da alma rumo à proximidade com Deus, o que pode ser visto como um paralelo com o progresso dos Espíritos nas ordens superiores da escala.
Filosofia Platônica
A filosofia de Platão também oferece comparações interessantes. Segundo ele, a alma é imortal e já existia antes da vida terrena, podendo retornar ao mundo das ideias, de onde veio, após um processo de purificação.
Em sua obra Fedro, Platão fala sobre a ascensão da alma em direção ao divino, conforme ela se liberta dos desejos inferiores — uma ideia que dialoga fortemente com o percurso evolutivo descrito por Kardec.
O Papel dos Médiuns na Comunicação Espiritual
Os médiuns são indivíduos dotados de uma sensibilidade especial que lhes permite servir como intermediários entre o mundo físico e o espiritual.
Eles desempenham um papel crucial na transmissão das mensagens dos espíritos desencarnados, contribuindo para o entendimento e a consolidação da Doutrina Espírita.
A mediunidade pode se manifestar de diversas formas, como a psicografia, onde o médium escreve mensagens ditadas por espíritos, ou a psicofonia, em que o médium serve de porta-voz para os espíritos se comunicarem verbalmente.
Outras formas incluem a vidência, a audiência e a incorporação, cada uma com suas características e propósitos específicos.
Os médiuns são fundamentais para a realização de sessões espíritas, onde os espíritos podem oferecer orientação, esclarecimentos e consolo aos encarnados.
Eles ajudam a estabelecer um canal de comunicação que permite a troca de conhecimentos e experiências entre os dois mundos, promovendo o progresso espiritual e moral de todos os envolvidos.
É importante ressaltar que a mediunidade deve ser exercida com responsabilidade e ética. Os médiuns são incentivados a desenvolver suas habilidades com humildade, sempre buscando o bem e a verdade.
A prática mediúnica deve estar alinhada aos princípios do amor e da caridade, evitando o uso da mediunidade para fins egoístas ou prejudiciais.
O papel dos médiuns na comunicação espiritual nos lembra da interconexão entre os mundos material e espiritual, destacando a importância da colaboração entre encarnados e desencarnados para o crescimento e a harmonia universais.
FAQ – Perguntas frequentes sobre a Escala Espírita
O que é a Escala Espírita?
É uma classificação dos espíritos em ordens baseadas em sua evolução moral e intelectual, segundo a Doutrina Espírita.
Quem são os Espíritos Imperfeitos?
São espíritos ainda dominados por paixões e vícios, com moral pouco desenvolvida, mas destinados à evolução.
Qual a diferença entre Bons Espíritos e Espíritos Puros?
Bons Espíritos já superaram muitas imperfeições, enquanto Espíritos Puros alcançaram a perfeição moral e intelectual.
Como os espíritos influenciam a vida terrena?
Eles podem inspirar ideias e sentimentos, com Bons Espíritos promovendo o bem e Espíritos Imperfeitos podendo causar influências negativas.
Qual é o papel dos médiuns na comunicação espiritual?
Médiuns servem como intermediários entre o mundo físico e espiritual, transmitindo mensagens dos espíritos desencarnados.
Como a Escala Espírita se compara a outras doutrinas?
Apesar das diferenças, muitas tradições compartilham a ideia de evolução espiritual e seres de elevada espiritualidade.